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Crianças e jovens do distrito de Bragança vão ficar sem resposta do SNS na área da saúde mental

Crianças e jovens do distrito de Bragança vão ficar sem resposta do SNS na área da saúde mental
  • 11 de Junho de 2018, 15:54

O alerta foi deixado pela própria especialista, na passada sexta-feira, em Mirandela, durante um seminário sobre saúde mental e interioridade, promovido pela Associação MATIZ.

Elisa Vieira começa por lembrar que o Plano Nacional de Saúde Mental, desde 2004, recomenda uma equipa com 11 profissionais de diferentes valências ligadas à especialidade, mas em Bragança, “sempre funcionou apenas com uma pedopsiquiatra, uma psicóloga a meio tempo e uma assistente social, às vezes nem a meio tempo”, diz.
Perante este cenário, e tendo em conta que, brevemente, a pedopsiquiatra vai aposentar-se, Elisa Vieira vai avisando que as crianças e jovens do distrito de Bragança “vão ficar desprotegidas.”
E para se perceber a dimensão do problema, basta dizer que Elisa Vieira tem mais de mil crianças e jovens dos 12 concelhos do distrito de Bragança, que agora vão ficar desprotegidos.
A pedopsiquiatra diz que já começou a encaminhar alguns casos, mas admite que a situação “vai ficar muito difícil para as famílias desta região”.
Elisa Vieira lamenta que a saúde mental infanto-juvenil tenha sido sempre “muito incompreendida pelo poder político”.
Confrontado com esta preocupação, o presidente do conselho de administração da ULS do Nordeste não quis falar à comunicação social.
No entanto, no discurso na sessão de encerramento do seminário Carlos Vaz reconheceu que a saúde mental “sempre foi o parente pobre da saúde”, mas preferiu realçar que, apesar das dificuldades em conseguiu atrair especialistas, tinha acabado de receber a notícia da contratação de mais três médicos de família.
Esta foi uma das várias preocupações manifestadas durante o seminário sobre saúde mental e interioridade, promovido pela MATIZ – Associação para a Promoção da Saúde Mental – criada há um ano, em Mirandela, e que recentemente recebeu o estatuto de IPSS.
“Trata-se de uma associação que pretende melhorar alguns aspetos na assistência a este tipo de cuidados, não para se substituir aos médicos e às respostas públicas, mas antes com ações complementares”, explica a presidente, Sara Araújo
Neste seminário, também ficou a saber-se que o distrito de Bragança ainda não apresentou qualquer candidatura para a criação de uma unidade de cuidados continuados de saúde mental, sabendo-se que a mais próxima só existe no Porto.
 

Escrito por Rádio Terra Quente (CIR)
Foto: Global Notícias

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