Marcelo Rebelo de Sousa defendeu em Bragança que não pode haver vários “portugais”
Declarações do Presidente da República durante a visita a Bragança para assinalar dos 500 anos da Santa Casa da Misericórdia desta cidade. Num discurso em que referiu que devem deixar de existir vários “portugais”, sobre estas instituições, admitiu que não se podem dispensar.
“As misericórdias e IPSS deviam ser valorizadas. O país, na crise violenta que tivemos, teria sofrido muito mais se não houvesse essa dupla rede de solidariedade social, o Estado não chega, não é preciso olhar para o orçamento do estado para se perceber que não há dinheiro para substituir as misericórdias e as IPSS”, salientou.
Marcelo Rebelo de Sousa esteve presente na sessão solene destes 500 anos da Santa Casa, no teatro municipal, esta sexta-feira, e sábado não deixou de visitar as imediações da instituição onde foi recebido pelas centenas de funcionários, colaboradores, utentes e alunos. Para o provedor da instituição, Eleutério Alves, a presença do presidente da república não podia vir em melhor altura.
“A presença do senhor Presidente da República é a melhor prenda que a instituição podia ter 500 anos depois, até porque o senhor presidente, com esta presença, acredito que quer manifestar o reconhecimento por todo o trabalho que os voluntários fazem no apoio social aos mais necessitados”, referiu.
Neste primeiro dia em que Marcelo Rebelo de Sousa visitou Bragança, foram ainda apresentados dois livros que contemplam a história da Santa Casa da Misericórdia de Bragança e foi assinado um protocolo com o intuito de disponibilizar na plataforma online toda a documentação da instituição.
As comemorações destes 500 anos da Santa Casa estendem-se até Dezembro.
Foi também perante o olhar de Marcelo Rebelo de Sousa que o Centro de Arte Contemporânea Graça Morais esteve em festa já que está a assinalar dez anos de existência. Durante o discurso nesta cerimónia de comemoração, o Presidente da República lembrou que tudo começa pela cultura e destacou a qualidade humana dos brigantinos.
“A vossa tenacidade e teimosia, a vossa qualidade humana tem permitido conquistar palmo a palmo o que tem sido conquistado. A qualificação das pessoas, a criação de futuro para as mais jovens gerações, a ideia de centralidade por oposição à de periferia e depois a cultura. Tudo começa pela cultura, tudo começa pela ideia”, apontou Marcelo.
Durante a cerimónia foi ainda oficialmente formalizado o protocolo que prevê a criação do Laboratório de Artes de Montanha Graça Morais e que será dedicado à observação e documentação da obra da pintora transmontana. Emocionada com a presença de Marcelo Rebelo de Sousa, Graça Morais afirmou ser uma pessoa privilegiada.
“Gosto muito de sentir que um grande político e um Presidente da República que nos tem acarinhado tanto e oferecido a sua inteligência e a sua sensibilidade vem a este centro de arte que festeja 10 anos de existência. Sou uma privilegiada, porque me ofereceram um espaço onde posso oferecer às pessoas aquilo que faço de melhor”, referiu.
Na cerimónia marcou ainda presença o Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, que não deixou de lembrar que este projecto vem trazer novos limites ao diálogo entre as artes e as ciências.
Após a cerimónia, o presidente da república aproveitou para conhecer as duas exposições que estão a marcar o aniversário deste espaço. Com a esperança de que seja uma inspiração para novos projectos empresariais, Marcelo Rebelo de Sousa inaugurou ainda a avenida Dr. Mário Soares, na zona industrial das Cantarias. Com 46 lotes de terrenos para captar novos investimentos empresariais, esta nova área de acolhimento empresarial é uma iniciativa municipal de 3,4 milhões de euros. Escrito por Brigantia.