O coração dividido por dois países
O mês de agosto é marcado pelo regresso de emigrantes de férias. A aldeia de Aveleda, no concelho de Bragança, não foge à regra. Fomos ouvir “estórias” de vida e perceber porque saíram de Portugal. Encontrámos dois emigrantes irmãos. Francisco Mesquita e Cândida Pais. O irmão tem 67 anos. Aos 17 anos, fugiu “a salto da guerra e da tropa”. Enfermeiro, agora reformado. Vive em Paris mas sente saudade:
“Sinto sempre saudade. Quando estava aqui era pastor, andava em Gimonde, em Veados, Babe. Sinto saudade quando se ouve falar de saudade o coração palpita”, destaca Francisco Mesquita.
A irmã, Cândida Pais tem 59 anos e aos 13 anos, quando faleceu a mãe, emigrou para Madrid. Já se sente espanhola.
“Sim, sinto-me espanhola e gosto de estar aqui. Mas de facto para viver, gosto mais de viver em Madrid, porque lá os salários são melhores”, contou a irmã.
Natural de Alimonde, Bragança, Sandra Pereira de 41 anos, desde os 10 anos que está em França. Todos os verões em Agosto ruma a Portugal. Sair do país custou muito.
“Tive muita pena em ir embora, porque tinha aqui a minha família. Gosto muito de Portugal, mas tive que ir embora”, contou Sandra Pereira.
Não quer voltar porque os salários em Portugal são mais baixos:
Vidal Rodrigues de 78 anos. É natural de Coelhoso em Bragança emigrou para não ir à tropa e gosta de ficar exilado na aldeia..
Estes são exemplos de vidas de emigrantes que passam o ano fora de Portugal, mas em Agosto regressam.
Escrito por Brigantia