Bragança é o distrito mais preocupante em ingestão de fruta e legumes por crianças
A percentagem do distrito é de 96,7% e os dados foram divulgados ontem. Bragança lidera a tabela, seguida da Guarda (91,9%), dos Açores (86,6%) e da Madeira (85,7%). Évora com 59,0% é o distrito com menos percentagem, estando todos os valores acima dos 50%. É em zonas rurais que estes hábitos alimentares se verificam, como refere Mário Silva, presidente da Associação Portuguesa Contra a Obesidade Infantil: “Alguns pontos do país, sobretudo nas zonas mais agrícolas, o que é muito curioso. Achei, sempre, no início deste projecto, que este problema era mais grave nas grandes cidades onde as crianças teriam, de certeza, menos actividade física, seriam mais sedentárias. A verdade é que não, fora das cidades, esta realidade, das crianças terem piores hábitos alimentares e serem mais sedentárias, temos vindo a constatar que nas zonas rurais os hábitos são piores que nas cidades”.
Nos últimos tempos, as percentagens de obesidade infantil têm vindo a aumentar. Três em cada quatro crianças, entre os dois e os 10 anos, comem menos de cinco porções de fruta e legumes diárias. É necessário que haja uma mudança de hábitos alimentares. “Em mais de 95% dos casos está interligada com os hábitos alimentares e com o sedentarismo. Estes dois factores contribuem para que nos últimos anos as percentagens de obesidade infantil tenham disparado muitíssimo”.
Para contrariar esta tendência, está em curso o projecto «Heróis da Fruta – Lanche Saudável», em parceria com várias entidades, refere Mário Silva. “Temos este ano uma parceira institucional com a Direcção Geral da Saúde, com a Rede de Bibliotecas Escolares e com o Plano Nacional de Leitura, para trabalhar em paralelo a alimentação saudável. É um projecto divertido, apesar de estarmos a falar de assuntos sérios, fazemos a prevenção de forma divertida”.
O estudo envolveu uma amostra com cerca de 13 mil alunos no ano lectivo anterior e juntou investigadores do APCOI, do Instituto de Saúde Ambiental e da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa.
Escrito por Brigantia