Natal longe da família
Nem sempre Natal é sinónimo de estar com a família. Vários serviços não podem fechar e, por isso há quem trabalhe nesta época. Outros não têm a possibilidade de passar estes dias com a família, porque estão acamados, como é o caso de alguns utentes dos cuidados continuados da Santa Casa da Misericórdia de Bragança. Armandina Pinheiro está internada há três anos, e pela primeira vez, vai passar o Natal na instituição, mostrou-se contente por ficar ali. “É bom passar aqui o Natal. Este ano fico cá porque os meus familiares vão para fora”.
Nesta época, as auxiliares da acção médica e enfermeiras também trabalham na unidade. Se, por um lado é triste porque não podem estar em casa com a família, por outro é gratificante. “Não é nada bom, é horrível mas, por outro lado estamos a dar um miminho a pessoas que precisam e que passam o Natal fora da família”, disse Sónia Mouta.
Se alguns não podem ir passar o Natal porque estão acamados e “presos” a uma cama, outros não o podem fazer mesmo com saúde. O estabelecimento prisional de Bragança tem 85 reclusos. Neste caso, o Natal é passado entre guardas prisionais e reclusos. A consoada não deixa de ser feita, mas o espírito é diferente. “Sendo o Natal uma festa da família é nesta altura que sentimos mais a privação da liberdade”, disse um dos reclusos. “A unica forma que temos de ultrapassar este distânciamento são as visitas e os telefonemas. No Natal sentimos mais esta dificuldades”, confessou outro dos reclusos.
Se há reclusos no estabelecimento prisional, também há guardas prisionais. Jorge Favas é guarda prisional, mas a sua licenciatura em Psicologia torna-o especial. Ser formado nesta área traz-lhe algumas vantagens. “As primeiras vezes que passei aqui o Natal sente-se uma nostalgia mas com o tempo torna-se um hábito”.
Tal como os funcionários da Santa Casa da Misericórdia e os do Estabelecimento Prisional, também os agentes da autoridade estão a trabalhar na quadra festiva. Os agentes do destacamento de trânsito da GNR de Bragança, e os de todo o país, estão nas estradas com a Operação “Natal e Ano Novo”. Passar o Natal a trabalhar parece ser difícil para todos, mas alguns agentes da autoridade dizem já estar habituados. O que não é o caso do cabo Carlos João. “Temos que ter a consciência que alguém tem que estar cá mas passar o Natal longe da família é sempre diferente e custa muito”.
Por vez, em prol da cidadania e da segurança dos condutores, muitos agentes perdem o crescimento dos filhos. O agente Marcos Vilela tem uma filha de três anos e conta que já perdeu alguns momentos especiais. “Já perdi alguns, primeiros passos, primeiras palavras… as saudades apertam. É muito difícil conjugar a família com o trabalho”.
Nestes dias, o Comandante Sousa do destacamento de trânsito da GNR de Bragança aconselha a que as pessoas viagem em alturas do dia com menos intensidade de tráfego, os condutores devem adequar a velocidade às condições meteorológicas.
Escrito por Brigantia