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Direcção da Cooperativa de Alfândega apresentou demissão

Direcção da Cooperativa de Alfândega apresentou demissão
  • 28 de Janeiro de 2020, 15:28

A Assembleia Geral, de dia 12, foi palco de uma discussão acesa, que terá tido origem no pedido de explicações sobre a aquisição, por parte do gerente da entidade, de três terrenos que eram explorados pela cooperativa. As propriedades rústicas estavam, desde 1970, abrangidas por um contrato de cedência de exploração, entre a cooperativa e os proprietários, e só podiam sair deste regime caso fosse paga uma indemnização pela retirada das terras, sendo o valor das benfeitorias calculado pela cooperativa. Esta entidade de gestão agrícola tinha direito de preferência do terreno, mas não o terá exercido.

O presidente da mesa da assembleia, Joaquim Ribeiro, não quis prestar declarações gravadas, mas numa carta explica que pediu à direcção que o gerente fosse retirado das funções e que lhe fosse instaurado um processo disciplinar, sob pena de a situação “afectar gravemente a credibilidade da cooperativa e inquinar a relação de confiança entre dirigentes e associados, no caso de ficarem dúvidas quanto à isenção e exemplaridade das suas actuações e comportamentos”. O responsável deste órgão da cooperativa considera mesmo que há “indícios, fortes, da prática de actos não permitidos por lei e causadores de prejuízos pecuniários e reputacionais sérios à cooperativa”.

Depois de todos os elementos da direcção terem apresentado a demissão a 17 de Janeiro, a mesa da assembleia decidiu aceitar o pedido, mas diz não aceitar os motivos.

Não comentando em concreto o que se passou na última assembleia, o presidente da direcção, que está à frente da cooperativa há 14 anos, Eduardo Tavares, explicou que apresentou a demissão, a par dos restantes membros, para dar espaço à apresentação de uma nova equipa e novos projectos. “Entendíamos que este é o momento ideal, de forma até antecipada, para promover uma reflexão e discussão interna para poder permitir que haja novas pessoas, novos projectos e ideias para levar por diante esta importante instituição do concelho”, afirma o representante.

Apesar do debate aceso na última assembleia geral, o também presidente da câmara de Alfândega da Fé desvaloriza a questão. “Não é nada de anormal, a cooperativa sempre viveu destes momentos. A discussão à volta das questões da agricultura, do rendimento, do azeite e dos pesos é normal. Há momentos de altos e baixos, discussões e querelas” por vezes nas cooperativas, mas considera que “não vale a pena dar grande valor”.

Na próxima Assembleia Geral, marcada para dia 16, será discutida a constituição de uma comissão administrativa, com poderes de gestão corrente, que possa fazer uma auditoria às contas da cooperativa, apresentar queixas no Ministério Público em relação aos factos apurados e instaurar procedimento disciplinar ao gerente da cooperativa, com o propósito de proceder ao seu despedimento com justa causa.

Assuntos que estão na agenda da próxima assembleia geral da Cooperativa Agrícola de Alfândega da Fé, marcada para 16 de Fevereiro. Deverá ainda começar a ser preparado o próximo acto eleitoral que deve acontecer nos próximos 6 meses. Escrito por Brigantia.

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