Onda solidária esgota cabrito transmontano
Depois de, na semana passada, terem demonstrado uma enorme preocupação por não estarem a conseguir vender os cabritos da raça serrana DOP, nesta altura da Páscoa, devido à drástica redução do consumo provocada pela Pandemia da Covid-19, eis que, em poucos dias, uma surpreendente onda de solidariedade de Norte a Sul de Portugal, nas redes sociais, ajudou os caprinicultores a escoar toda a produção.
“Não estávamos nada à espera disto. Recebemos 5400 e-mails a pedir encomendas de cabritos”, revela o presidente da direcção da Associação Nacional de Caprinicultores da Raça Serrana (ANCRAS), com sede em Mirandela, confessando que agora o problema é outro. “Não temos capacidade de resposta para tantas solicitações, apenas vamos conseguir entregar 600 cabritos e ficar com outros 200 porque o matadouro do Cachão também está a trabalhar com menos funcionários e não consegue abater essa quantidade até à Páscoa”, adianta Arménio Vaz.
Os pedidos de encomendas dos cabritos vieram de Norte a Sul do país. “Foram pessoas do Algarve, do Alentejo, de Lisboa, do Porto, de Coimbra, de todo o lado, foi de facto surpreendente”, confessa o presidente da ANCRAS, acrescentando que o cabrito é embalado em vácuo e a associação garante entrega por todo o país das encomendas feitas.
A associação tem duas cooperativas para servir os cerca de 200 associados, uma que recebe os cabritos e outra, o leite.
Mas se o problema com os cabritos está resolvido, o mesmo não se pode dizer dos queijos. “Costumamos vender cerca de 800 queijos por semana. Na semana passada vendemos apenas 15. Ainda temos capacidade para 30 dias nas câmaras de armazenamento, mais do que esse tempo vai ser complicado gerir”, refere Arménio Vaz.
Em tempo de crise Covid-19, a ANCRAS espera que os portugueses saibam valorizar aquilo que é produzido no nosso país e em particular com a chancela de qualidade dos produtos oriundos de raças autóctones.
Escrito por Terra Quente (CIR)