Não houve “intervenção necessária” para combater novo coronavírus de forma eficaz
É esta a opinião do presidente da Secção Regional do Norte da Ordem dos Enfermeiros. Segundo João Paulo Carvalho, não se tomaram as precauções necessárias, fazendo com que vários profissionais de saúde estejam infectados. “A Ordem dos Enfermeiros e os enfermeiros de uma forma geral veem com preocupação tudo o que tem vindo a acontecer desde o primeiro momento Não foram tomadas todas as precauções e intervenções necessárias para combater a pandemia de forma eficaz, ainda por cima Portugal teve tempo para aprender com aquilo que aconteceu na China, Espanha e Itália. As entidades que, supostamente, gerem as actuações perante esta situação, desde o primeiro momento que nos diziam que estávamos preparados. Acho que a fase inicial foi algo tranquila demais, o que fez que tenha acontecido o que está a acontecer: muita gente infectada, nomeadamente enfermeiros”.
João Paulo Carvalho sublinha ainda que a falta de material e de equipamentos de protecção assusta os profissionais de saúde. “O Serviço Nacional de Saúde não está tão bem quanto nos querem fazer parecer que está. Quando se pede, de um momento para o outro, que todos os médicos, enfermeiros e profissionais de saúde tenham estes procedimentos muito específicos para esta doença as pessoas não facilitarão e vão proteger-se. Aqui o grande problema é que nem sempre temos os sequenciamentos de protecção necessários e à disposição”.
Quanto à questão da utilização das máscaras cirúrgicas, João Paulo Carvalho diz que o grande problema é a falta de stock e a falta de informação do seu uso correcto. “Já percebemos, há muito, que o ideal, estando em contacto com outras pessoas, seria usar máscara. Essa máscara não impede que quem a usa possa vir a ser contaminado mas impede que quem a usa possa contaminar outra. E se duas pessoas tiverem máscara nenhuma delas, em principio, ficará contaminada, porque se protegem uma à outra. Qual é o grande problema? Não há stock! Isto não foi pensado de forma atempada. A DGS diz que as pessoas não têm conhecimento e podem fazer mau uso da máscara. Se assim é a DGS deveria promover formações para que as pessoas possam usar às máscaras de forma eficaz”.
João Paulo Carvalho admitiu ainda que a saúde mental, numa situação destas, é uma grande preocupação e que, neste momento, está a ser criada uma resposta, que conta com profissionais da área, para que quem precise de ajuda a possa ter de forma mais directa.
Escrito por Brigantia