Comunhão entre a música erudita e a natureza celebrada em Montesinho
O projecto começou com uma residência artística, contando com músicos que por ali estiveram, alguns dias, a conviver com a população local. O culminar do projecto aconteceu ao longo do fim-de-semana, em que habitantes da aldeia e visitantes puderam admirar a interpretação de música em contexto rural, tendo sido guiados pelos artistas, por vários pontos, de forma a observar Montesinho ao som de grandes compositores de música clássica.
Matilde Loureiro, da direcção artística, acredita que o projecto teve grande importância para a aldeia. “Eu sinto que há uma dinâmica diferente esta semana, não pelo número de pessoas como pela música que se ouve lá fora e pelas relações entre as pessoas que visitam a aldeia e as que cá vivem”.
A organização e produção do projecto esteve a cargo da câmara de Bragança e do teatro municipal local. Este ano, além da música, do espectáculo também fizeram parte a declamação de poemas e a interpretação da peça “A História do Soldado”. João Cristiano Cunha, director do Teatro Municipal de Bragança, acredita que o projecto pode incluir outras artes e até mesmo estender-se a outras aldeias. “É uma ideia que está no ar e que poderá pegar: o cruzamento entre diferentes artes. De música na paisagem poderemos passar a artes na paisagem e fazer-se um festival de maior envergadura, descentralizando-o e levando-o a mais aldeias do concelho e do distrito”.
O teatro esteve encerrado, por força da pandemia, e este projecto assinalou a sua reabertura. Um espectáculo fora de portas para dizer às pessoas que podem voltar ao teatro. “A ideia é convidar no exterior as pessoas para voltarem ao interior. A ideia é fora de portas reabrirmos portas para regressarmos à vida cultural, tão necessária ao nosso bem estar”, disse o director.
Schubert, Schumann, Stravinsky e Ravel foram os compositores ouvidos, em Montesinho, ao longo do fim-de-semana.
Escrito por Brigantia