Ernesto Rodrigues foi um dos rostos da região que viveu de perto o 25 de Abril
Na época, com apenas 17 anos, já era jornalista, em Bragança. Em entrevista ao Jornal Nordeste, o poeta e professor conta ter utilizado estratégias para que os seus textos não fossem riscados pelo lápis azul da censura. “Havia um discurso metafórico e alusivo. Por exemplo, em Janeiro de 1974, a propósito do ministro Veiga Simão, escrevi um poema que falava de martelo, que tinha a ver com os presos de Caxias, martelo com dois L’s, que remetia para Marcelo Caetano… havia maneira de dizer as coisas, contornando a censura”.
Ajudou a fundar o Ènié, um ano depois, em Abril de 1975. Um jornal que foi obrigado a encerrar devido a ameaças e à censura. “a censura era sob forma de perseguição mas isso não impediu de escrever o que bem entendíamos. A minha reportagem que deitou tudo a perder foi sobre um comício do CDS em que Galvante Melo dizia que tínhamos que acabar com os comunistas antes que eles acabassem connosco. Entrámos em polémica e como algumas figuras do CDS ameaçaram e atacaram dois redactores entendemos que não valia a pena”.
Ainda assim admite que se sentiu um privilegiado por, naquela altura, ter acesso a tudo que acontecia em Lisboa.
Ernesto Rodrigues nasceu em 1956, em Torre de Dona Chama, no concelho de Mirandela. Veio para Bragança na flor da idade, onde vivenciou de perto o 25 de Abril, enquanto jornalista na num jornal local. Agora vive na capital do país onde é professor na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
Escrito por Brigantia