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Há 20 anos que AEPGA preserva o Burro de Miranda e tenta reverter perigo de extinção

Há 20 anos que AEPGA preserva o Burro de Miranda e tenta reverter perigo de extinção
  • 19 de Maio de 2021, 08:25

A entidade dedica-se à preservação do Burro de Miranda, a única raça autóctone portuguesa desta espécie, mas que na altura não era reconhecida e estava em grave perigo de extinção com poucos exemplares.

Há duas décadas havia apenas cinco nascimentos de Burros de Miranda por ano. Hoje em dia são cerca de 100. Uma evolução que foi possível com o trabalho da AEPGA, que contou com o entusiasmo e a resistência dos criadores da região que ainda optam por ter um burro para os trabalhos agrícolas ou para companhia. É o caso de Celestino da Veiga, de 83 anos, habitante de Caçarelhos, no concelho de Vimioso, que conta que antes de emigrar para França e depois de regressar sempre teve animais, mas agora apenas resta esta burra que ainda usa no campo, por entender que para alguns trabalhos é melhor do que o tractor.

“Tenho-a para lavrar as batatas e arrancar. Ela nunca tinha lavrado, agora já começa a lavrar sozinha”, contou.

O criador ligou à associação porque era preciso limpar os cascos do animal, um trabalho que é feito por Manuel Campeão, ferrador da AEPGA, onde trabalha há cerca de 13 anos.

“Aprendi aqui. Numa primeira fase comecei a andar com os veterinários, comecei a notar que havia muitos animais que precisavam de esse apoio e lá consegui motivar-me através de formações”, disse o ferrador.

Na AEPGA trabalham dez técnicos, a que se juntam quatro trabalhadores voluntários italianos, no âmbito do programa de Serviço Cívico de Itália. Desde que a situação pandémica permite, os médicos-veterinários e técnicos da AEPGA voltaram ao terreno para dar apoio aos criadores de Burro de Miranda, para garantir o bem-estar dos animais, como explicou Zélia Cruz, natural de Celorico de Basto e veterinária na associação há cerca de um ano.

Actualmente há quase 300 criadores de Burros de Miranda nos concelhos de Mogadouro, Vimioso e Miranda, mas existem animais desta raça de norte a sul do país.

Depois de se ter preservado esta raça autóctone a nível genético, nos últimos em 20 anos os nascimentos passaram de 5 para cerca de 100. Há agora 900 burros de Miranda: 800 fêmeas e 100 machos reprodutores. Apesar da evolução positiva a raça ainda está em risco de extinção, no entanto, é agora considerada estável. Um dos desafios para o futuro passa principalmente pela renovação e rejuvenescimento dos criadores.

“O grande desafio para o futuro não está talvez no aumento de nascimentos. O grande desafio está em renovarmos os nossos criadores, em aumentaremos o seu número, porque a maioria das pessoas vai ficando idosa e os mais novos não estão a optar por projectos com animais”, referiu Miguel Nóvoa, responsável da AEPGA.

Escrito por Brigantia.

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