Pesca atrai cada vez mais jovens
Com as restrições impostas pelo Governo, como a proibição de circulação entre concelhos, muitos pescadores foram obrigados a pôr de lado a sua “terapia”. O Tua, em Mirandela, é um dos rios mais procurados na região para a prática da pesca. Alguns pescadores são até adolescentes.
A pandemia afastou as pessoas da pesca, mas também há cada vez mais jovens a gostar desta actividade.
O gosto pela pesca parece ser uma herança de família, já que se transmite de geração em geração. Um dos exemplos é Carlos Fernandes que aprendeu a pescar com o pai. A pandemia impediu-o de se deslocar do concelho, já que não pesca só em Mirandela, mas também em Chaves, Mondim de Basto e Murça. A participação em concursos também o fascina.
“Mediante os rios em que vamos pescar, adaptamos os tipos de pesca. Na competição requer muita estratégia. A competição também me fascina, o convívio com os meus colegas, com quem discuto estratégias”, contou.
Mas para o pescador, que até já foi campeão regional da segunda divisão e já chegou a estar na segunda divisão nacional, este é um desporto que não é valorizado nem divulgado.
Com 21 anos, Pedro Pinto é um dos pescadores mais novos no clube. Também ele sentiu o impacto negativo de não poder pescar, já que essa é a sua terapia de todos os domingos.
“Naqueles dias em que não se podia sair dos concelhos e não se podia realmente pescar, acabou por custar um bocado, porque eu todos os domingos vou à pesca e ter que ficar em casa era muito mau”, disse o jovem.
Para Pedro Pinto, a motivação passa por querer pescar sempre um peixe maior.
Afonso Ribeiro tem 14 anos e faz jus ao ditado “quem sai aos seus não degenera”, não fosse o seu avô o presidente do Clube de Caça e Pesca de Mirandela. O pequeno adolescente parece ter jeito e há poucos dias conseguiu pescar um peixe que poderia ser um recorde.
“Foi no dia da criança. Fui à pesca com o meu pai e tirei um achigã. Não sei os centímetros, mas era muito grande”, relembrou.
Para João Ribeiro, presidente do Clube de Mirandela são evidentes os prejuízos que a Covid-19 teve na actividade, mas não entende porque foram canceladas as provas durante o confinamento já que considera que pescar é seguro.
Outro dos problemas foi também o aumento do preço das licenças que afastou muitos praticantes de terceira idade desta modalidade. Todos estes factores podem pôr em causa o equilibro dos ecossistemas. Segundo João Ribeiro o peixe lúcio é um dos “invasores” que se não for pescado cria “graves problemas”.
“É um peixe que come o seu peso noutras espécies e provoca grandes problemas e os peixes em desaparecendo há um desequilíbrio bastante grande. Inclusivamente atiram-se a pássaros, aos répteis e acabam por criar graves problemas. Era uma barragem [Azibo] onde havia bastantes barbos, bogas, trutas e agora não há estas espécies”, disse.
A pesca é uma das actividades que atrai pessoas a Mirandela e a Câmara Municipal, em conjunto com o clube, decidiu tirar proveito disso e impulsionar a economia. Está mesmo marcha a criação de uma pista de pesca, explica a autarca Júlia Rodrigues
“Tem como objectivo a implementação de 32 plataformas de pesca ao longo do rio Tua. A criação destas estruturas para a prática da pesca desportiva, em simultâneo com a gestão da vegetação e da estabilização da margem, permitem o acesso e utilização destas plataformas com segurança”, explicou a autarca.
Para a pista de pesca é necessário um investimento de 45 mil euros, candidatado pela câmara ao PROVER.
Escrito por Brigantia