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Agricultores da Lombada queixam-se dos estragos provocados pelos veados

Agricultores da Lombada queixam-se dos estragos provocados pelos veados
  • 6 de Agosto de 2021, 09:09

Os veados estão a provocar danos avultados nas culturas, especialmente de castanheiros, na zona da Lombada, no concelho de Bragança. O problema já não é de agora, mas tem piorado nos últimos anos. Os agricultores queixam-se que o Instituto de Conservação da Natureza e Florestas pouco faz para resolver a situação. Segundo o produtor Duarte Fernandes, o valor pago pelos prejuízos não compensa de todo o trabalho nem a espera:

“O ICNF diz que vai lá avaliar os estragos, só que são coisas muito complicadas. Eles chegam lá, vêm uma árvore com um porte para uma saca de castanhas, vêm o prejuízo e dão 10 euros por um castanheiro. E uma árvore para chegar a esse porte demora muitos anos, se formos a contabilizar, uma árvore daquelas fica à volta de 200 a 300 euros. Não é com 10 euros que pagam” salientou.

A falta de alimento nas montanhas será o que leva os veados a aproximem-se das povoações e comam as culturas. Para os agricultores, o ICNF deve fazer mais do que pagar os estragos: deve evitá-los. Por isso, o produtor também de castanha, João Rodrigues, considera que uma das soluções passaria pela vedação:

“O problema é que na montanha eles deixam de ter alimento e cada vez mais se aproximam da aldeia, onde os agricultores têm as suas culturas. Há algumas soluções, era possível fazer vedações colectivas se as entidades competentes e gestoras destas áreas o permitissem e colaborassem, porque isso é dispendioso, ou então, abate selectivo para controlar a densidade desses animais aqui nas aldeias” referiu.

A Lombada é uma das zonas nacionais de caça e os veados são ouro para os caçadores. Por isso, são deixados crescer até atingirem grande porte. O problema é que para se alimentarem causam prejuízos. Altino Pires, presidente da União de Freguesias de São Julião de Palácios e Deilão, aldeias inseridas nesta zona, crítica a posição do ICNF:

“Não nos dão nenhuma resposta. Estamos inseridos na Zona de Caça Nacional da Lombada, esta espécie representa, em termos de caça uns dos bons troféus de caça de veado, e é aqui que eles têm saído. Ao ICNF interessa-lhe preservar esta questão. O que interessa aqui é que haja esse tipo de animais para que sejam abatidos. Está a tornar-se insuportável. Provavelmente vamos, mais uma vez, apresentar uma reivindicação junto do ICNF e estou crente que vamos continuar na mesma situação em que estamos” afirmou.  

Contactada a directora regional do Instituto de Conservação da Natureza e Florestas esclareceu que “o ICNF tem desenvolvido medidas que visam a prevenção de eventuais prejuízos” com a instalação de “fio eléctrico a delimitar as culturas cerealíferas e pomares, tendo já sido instalados mais de 4,5 km deste fio, nas localidades de Deilão, Guadramil e Rio do Onor”.

Sandra Sarmento acrescentou ainda que são pagos os prejuízos causados pelo veado, javali e corço, dentro da Zona de Caça Nacional da Lombada e que os veados são monitorizados e abatidos pelo “método de aproximação garantindo a sustentabilidade desta espécie”.

Escrito por Brigantia

Foto: Duarte Fernandes

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