Emigrantes ponderam vir passar o Natal ao nordeste transmontano
Ainda assim, espera-se que este ano venham em força.
Tiago Pombo tem 31 anos, está na Suíça há dois, em Chur, na parte alemã. Natural de Mogadouro, garantiu que este ano não passa o Natal fora de casa.
“Não costumava ir nesta altura, porque o trabalho não permitia, mas agora vou no Natal. No ano passado não deu por causa da covid, mas este ano estão as fronteiras abertas. Sempre que posso vou a Portugal, na Páscoa, no Verão”, contou.
Pela Suíça está também Carlos Pires, natural do concelho de Bragança. Está no cantão do Tessino há 32 anos, na parte italiana daquele país. O português diz que não tem por hábito vir no Natal, mas sim em Janeiro, depois de passadas estas festas. Apesar de tudo, também não está certo do regresso a Portugal.
“Este ano não vou, mas já não tinha ideia de ir. Tinha intenção de ir depois de passadas as festas, mas dada a situação esperarei por temos melhores”, explicou.
João Verdades, natural de Portimão, está no Luxemburgo desde 2008. É o conselheiro das comunidades naquele país. O cargo consultivo, previsto em decreto lei, na legislação portuguesa, permite-o estar perto dos emigrantes e conhecer os seus anseios. O algarvio disse que as pessoas estão muito reticentes.
“Sei que há pessoas que não vão a Portugal por questão de segurança e com algum receio de ficarem retidas em Portugal com o eventual fecho das fronteiras, mas eu não acredito que encerrem. Quem tem família aqui e tem tendência a ficar aqui. Eu vou a Portugal, dê lá por onde der”, afirmou.
Gabriel Jesus, natural de Viseu, criou a Casa do Benfica, em Londres. De norte a sul de Portugal, por ali param muitos emigrantes, também da nossa terra. Ainda que os portugueses sejam de pulso forte, a pandemia continua a assustá-los. O empresário disse que há muitas incertezas em vir a Portugal.
“Muita gente está indecisa. Por exemplo, há duas semanas estava tudo muito bem, pessoas que já tinham passagens marcadas para irem passar o Natal a Portugal, e agora como há outras restrições as pessoas já começam a recuar. Primeiro já não é preciso fazer teste, agora já é preciso, já é mais complicado”, referiu.
Jacinta Fonseca também não é do distrito de Bragança, mas lida com transmontanos quase todos os dias. Está em Frankfurt, na Alemanha, onde criou A Tasquinha da Jacinta. A empresária disse que os portugueses estão tranquilos e, na sua maioria, devem ir a Portugal.
“Eu acho que as pessoas já estão cansadas de ouvir falar da história da covid. Eu acho que as pessoas estão vacinadas, vão fazer o teste rápido e vão à vida delas”, frisou.
A Ómicron, também assustou, inicialmente, os emigrantes, que agora pensam vir a Portugal, apesar desta nova variante.
São mais de cinco milhões de descendentes e luso-descendentes que estão espalhados pelo mundo e muitos devem aventurar-se a vir passar a quadra.
Escrito por Brigantia