Seca está a prejudicar pecuária e agricultura na região
Na região, a agricultura e a pecuária já estão a sofrer as consequências.
O Instituto Português do Mar e da Atmosfera aponta que, em relação a Dezembro, há já um aumento significativo da área e da intensidade da situação de seca. Há 1% do território português em seca fraca, 54% em seca moderada, 34% em seca severa e 11% em seca extrema. Pelas previsões, o cenário deverá ainda piorar em Portugal continental.
A falta de água na barragem de Castanheira, situada na aldeia com o mesmo nome, no concelho de Bragança, é um bom exemplo do que se passa. Habitualmente, o distrito é das regiões que menos sofre com a falta de chuva, mas, este ano, segundo os habitantes da aldeia brigantina, o cenário não é nada agradável.
“A barragem está um bocado em baixo, devido ao tempo, que não chove. Não é normal, mas já houve anos assim. Causa grandes problemas à agricultura, mexe com tudo, por exemplo com a parte dos lameiros, com os cereais”, disse um habitante.
“Já não me lembro de o ano estar assim tão seco como este ano, mas já houve anos como este, mas também houve bem mais molhados”, referiu outro morador.
José Correia, residente em Castanheira, é agricultor e tem um rebanho de 20 cabras, que não sai para pastagem, mas que pode ficar sem alguns dos cereais que habitualmente come.
“Dou-lhes feno e aveia, mas se assim vai este ano, aveia não tenho. Para já a falta de água para semear não faz diferença nenhuma, mas depois assim que nasçam as forragens e não se regue, não dão. A terra está seca não dão”, frisou.
O IPMA confirma ainda que desde o início deste ano hidrológico, ou seja, Outubro de 2021, se registam valores de precipitação inferiores ao normal, sendo de salientar que os meses de Novembro e Janeiro foram muito secos. O presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal, Eduardo Oliveira e Sousa, mostra-se preocupado com o agravamento da seca e com as consequências que pode trazer ao país e ao distrito.
“Se não vierem chuvas com alguma expressão vamos ter muita actividade agrícola condicionada, muitos animais a passarem mal e os agricultores, porque têm que comprar alimento fora para dar aos seus animais”, afirmou.
Francisco Pavão, presidente da Associação Dos Produtores Em Protecção Integrada de Trás-os-Montes e Alto Douro (APPITAD), também não relata um cenário muito animador.
“A situação é bastante grave, o que se prevê que não vamos ter reservas de água suficientes para poder colmatar as necessidades que as culturas têm. Se não chover brevemente será bastante complicado para esta região, nesta fase para a pecuária e daqui a uns tempos para as culturas”, reforçou.
O IPMA não prevê que chova significativamente até, pelo menos, esta quinta-feira.
Escrito por Brigantia