Os Mil Diabos voltaram a andar à solta em Vinhais
Um carro de bois é puxado por dezenas de diabos que avistam nas varandas as jovens da terra. Quando o som da corneta do diabo chefe se ouve, o significado é só um: lançar o escadote e ir buscar as mulheres. Depois são aprisionadas e castigadas. Uma tradição secular, associada à Quarta-feira de Cinzas e que os vinhaenses querem manter. Que o diga Herculano Fernandes, que já veste a pele de diabo há cerca de 70 anos.
“O meu pai era a morte antigamente e eu já há mais de 70 anos que me visto de diabo. Isto agora já é mais actual, mas antigamente os diabos andavam a arrebentar com as janelas para ir bater às meninas. Elas diziam: fora com a morte que tira a ‘chicha’ da panela, fora com o diabo que não presta para nada”, recorda.
Os mais novos também começam a encarnar a personagem. Daniel Conceição vestiu pela primeira vez o fato de diabo, mas já sabe o que tem que fazer.
“Os diabos têm que ir atrás das mulheres, subir às varandas e bater com o cinto, é divertido”, afirma o jovem rapaz.
Para além das encenações da captura das mulheres que se encontravam nas varandas, espectáculos de dança e fogo também não faltaram. O ponto alto da noite culminou com a queima da morte. Centenas de pessoas assistiram à retoma da tradição. Para alguns já não é novidade, para outros foi a primeira vez. “Acho que isto é óptimo, porque cada vez mais devemos preservar aquilo que temos de bom e dar a conhecer aquilo que se passa até mais na zona do interior”, conta uma das visitantes.
Devido à pandemia, o “Mil Diabos à Solta” não aconteceu em 2021, mas este ano regressou em força. O presidente da câmara de Vinhais, Luís Fernandes, destacou a quantidade de pessoas que foram assistir ao espectáculo.
“Está bastante gente, volta a ser o começar outra vez a desconfinar, mas está muita gente e durante o dia já havia aqui muitas pessoas em Vinhais, o que é sempre agradável”, sublinhou o autarca.
Nesta edição, houve ainda um mercado de produtos regionais. Escrito por Brigantia.