Região

Empresários de Bragança dizem-se sufocados com o aumento dos preços dos combustíveis e dos cereais

Empresários de Bragança dizem-se sufocados com o aumento dos preços dos combustíveis e dos cereais
  • 23 de Março de 2022, 10:09

Depois de semanas consecutivas de aumento, o preço dos combustíveis desceu alguns cêntimos, mas nem por isso os gastos deixam de ser um fardo para as empresas. Dinis Santos tem uma empresa de transporte de mercadorias há dois anos. Começou por ter 10 camiões, mas agora tem apenas dois devido aos prejuízos. O empresário queixa-se das perdas constantes nos últimos meses.

“As empresas estão sufocadas”, afirma Dinis Santos. “Desde que começou o aumento do gasóleo, sensivelmente há três meses, uma empresa por camião perde mensalmente cerca de mil euros”, explica.

Bruno Rodrigues é proprietário de uma transportadora em Bragança. No último mês viu os gastos com os combustíveis quase duplicar. Apesar de o Governo ter criado uma linha de crédito para empresas da indústria transformadora e de transportes, o empresário diz que este tipo de apoio está fora de questão.

“Esse tipo de apoios tem sempre contradições muito grandes, tem sempre ratoeiras”, é a opinião de Bruno Rodrigues, que diz este apoio do Estado “para já não é uma opção”. “Se o preço continuar a aumentar vai dar cabo das empresas de transporte. Nós temos cinco giros ao nível do distrito, ou seja, cinco carros, cinco mensageiros e neste momento tivemos que anular dois carros, não comprometendo o serviço”, explicou.

Nem mesmo quem depende de financiamento do Estado está a suportar os custos. É o caso da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Bragança. Há 10 anos que o preço pago por km não é actualizado. Um arrombo nas contas da associação, diz o presidente, José Fernandes.

“O valor que nos é pago é 51 cêntimos por km. Este valor foi afixado em Maio de 2012, de então para cá há um aumento do gasóleo de cerca de 50% e também há um aumento significativo no salário mínimo, que são as nossas duas grandes despesas. Acresce ainda a tudo isto esta crise pandémica que nos obrigou a usar muito mais material para nos protegermos”, explicou o presidente, José Fernandes.

Com a guerra o preço dos cereais e a sua produção diminuiu, visto que a Ucrânia e a Rússia são grandes produtores de trigo. Na moagem do Loreto, em Bragança, para além de terem aumentado o preço da farinha, para acompanhar os gastos, também decidiram racioná-la, segundo o proprietário Luís Afonso.

“Em Julho do ano passado, época de colheita, o centeio custava 167 euros a tonelada e agora custa 420. O trigo era comprado, nessa altura, a 235 euros e agora custa 460 euros a tonelada. O cereal está a ser cada vez mais escasso. A moagem do Loreto optou por racionar o fornecimento da farinha. Quer isto dizer que os clientes habituais que compravam 500 sacos de farinha, agora é-lhes vendido apenas um terço, para que possa chegar também para outros consumidores”, afirmou.

Para os produtores de carne, a falta de cereais começa a ser uma preocupação. Para além de ter sido um ano de seca, em que os animais não se puderam alimentar das pastagens e tiveram que comer forragens e cereais, agora também este está a faltar. António Granjo é produtor de carne mirandesa e queixa-se dos aumentos constantes e de não poder vender a carne mais cara.

“Durante a semana chegamos a receber duas ou três vezes aumentos de preços e vamos tendo a indicação de que pode haver falta de cereais no mercado”, referiu, acrescentando que o aumento já vai em 30%. “Tive que ir a algumas economias buscar às vezes dinheiro para pagar aos fornecedores. Este aumento tem uma dimensão muito grande”, referiu.

António Granjo tem 320 vacas de raça mirandesa e 80 ovelhas de raça churra mirandesa. Se os gastos continuarem tão altos ameaça diminuir o efectivo para metade.

Apesar da descida do preço dos combustíveis esta semana os empresários dizem que não é suficiente para aliviar a pressão. A falta de cereais também já está afectar os produtores de carne, que vêm os custos aumentarem de semana para semana. Escrito por Brigantia.

Proponha um artigo de opinião:
info@pressnordeste.pt
Abrir
Written By
admin