Trabalhadores da Altice contestam cortes nos subsistemas de saúde
A Frente Comum Sindical decidiu trazer a luta para a rua e realizar concentrações de denúncia em várias cidades. Esta segunda-feira, foi a vez de em Mirandela, em frente às instalações da antiga PT.
O presidente do SINTTAV, Sindicato Nacional dos Trabalhadores das Telecomunicações e Audiovisuais, que integra a Frente Comum, acusa a administração da Altice de destruir o que resta do primeiro plano do subsistema de saúde da empresa, precisamente numa altura de pós pandemia em que a Altice teve um aumento considerável dos lucros.
“A covid veio ajudar estas empresas de comunicações, porque tiveram mais lucro nestes três anos do que antes, porque toda a gente precisou de utilizar mais as comunicações, e mesmo assim é quando eles decidem atacar aquilo que temos de melhor que é o plano de saúde para o qual pagamos 1,8% do nosso salário”, refere.
Manuel Gonçalves alega que a administração pretende aumentar até 300% o cofinanciamento dos três subsistemas de saúde dos trabalhadores que estão no ativo, dos reformados e dos familiares, num serviço em que os trabalhadores pagam todos os meses uma quota à empresa.
“A saúde tem muitas componentes e valências que são cofinanciadas, como os internamentos, transportes, os medicamentos que até aqui não pagávamos nada e que agora eles querem que se pague com aumentos brutais”, denuncia.
O líder do SINTTAV diz que se trata de mais um ataque brutal por parte da administração da Altice aos direitos dos trabalhadores que tem vindo a acontecer nos últimos sete anos.
“Nunca pensamos que esta empresa chegasse a este ponto, mas o que têm feito é destruir a empresa só com o objetivo de sacar aqui para mandar para onde estão os acionistas”, pelo que Manuel Gonçalves não tem dúvidas que a Altice “não é uma empresa, é um grupo financeiro especulativo”, acusa.
Para além desta luta contra o corte nos planos de saúde, a Frente Comum de Sindicatos já entregou à administração da Altice um documento onde exige um acréscimo salarial de 50 euros para os trabalhadores e de um salário mínimo de 850 euros.
“Uma empresa com técnicos altamente qualificados, não se entende que pague praticamente o salário mínimo a muitos deles, por isso é que eles vão embora”, acredita.
Manuel Gonçalves diz que se a administração não recuar nesta intenção de cortar nos planos de saúde, a Frente Comum vai tomar medidas mais drásticas, que podem passar por uma manifestação nacional e um dia de greve.
O protesto dos trabalhadores da antiga PT que está a acontecer em várias cidades do país com a realização de plenários e concentrações.
Esta segunda-feira aconteceu, em Mirandela. Hoje será a vez de Vila Real receber mais uma jornada de luta da frente comum dos sindicatos. Escrito por Terra Quente (CIR).