SIV de Mogadouro parou 12 horas por falta de técnicos
Os técnicos de emergência pré-hospitalar da SIV atingiram o limite de trabalho extraordinário e, por isso, o meio parou.
O presidente do sindicato destes técnicos, Rui Lázaro, diz que em Mogadouro são necessárias mais duas pessoas. “A Ambulância SIV de Mogadouro precisaria, em condições ideais, de seis técnicos de emergência pré-hospitalar. Neste momento estão apenas quatro e já ultrapassaram o limite de trabalho extraordinário, pelo que não conseguem assegurar mais as escalas. Esta escassez de técnicos tem levado que as ambulâncias estejam fechadas. Este constrangimento tem-se verificado mais nas grandes cidades, mas começa já a notar-se nas próprias centrais do INEM e também agora nas ambulâncias SIV, localizadas em vilas ou cidades de menor dimensão, onde os hospitais de referência estão a distâncias maiores das populações”.
Ainda que os técnicos quisessem assegurar este horário não o podiam fazer porque seria ilegal. “O limite do trabalho extraordinário e, no nosso caso dos meios de emergência, que é o mais elevado que existe, em termos legais, é de 60% da remuneração base mensal. Depois de ultrapassado, os trabalhadores não podem realizar mais trabalho extraordinário e tem que ser encontrada outra solução, como a contratação de mais técnicos”.
A SIV de Mogadouro funciona há 10 anos e esta foi a sua primeira paragem. Como a escala para sábado e domingo ainda não está preenchida, prevê-se que a SIV volte a parar.
Perante o cenário, que pode, claramente, piorar, o presidente do Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar afirma que as populações do interior estão deixadas à sua sorte. “A situação é, de facto, alarmante. Quando falamos de uma ambulância que serve Mogadouro, Alfândega da Fé, Vimioso, Miranda do Douro e Freixo de Espada à Cinta estamos a falar de dezenas de milhares de pessoas que ficam sem uma resposta efectiva e eficaz, em termos de emergência médica. Ficam, praticamente, entregues à sua sorte”.
O dirigente sindical afirma que é urgente contratar mais técnicos de emergência pré-hospitalar mas assume que isso não basta. Assim, diz que há reclamações que têm que ser rapidamente atendidas. “A mais urgente passa por rever o índice remuneratório. Outro factor que é necessário tratar é rever a carreira, torná-la mais atractiva”.
Está agendada uma greve dos técnicos de emergência pré-hospitalar para o dia 8 de Novembro, altura em que a Ministro da Saúde vai a Parlamento falar sobre o Orçamento do Estado para 2023. Rui Lázaro espera que até lá sejam chamados para negociar as reclamações.
Escrito por Brigantia