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Água do regadio do Azibo pode ficar muito mais cara com novas exigências da DGADR

Água do regadio do Azibo pode ficar muito mais cara com novas exigências da DGADR
  • 8 de Novembro de 2022, 09:25

Isto porque há encargos coma estação elevatória, que até então eram suportados pela Direção Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural (DGADR), e que esta agora está a exigir que passem a ser custeados pela Associação de Beneficiários de Macedo de Cavaleiros, que é responsável pela gestão do aproveitamento hidroagrícola do concelho.

Por não concordar com estas alterações, a atual direção apresentou o pedido de demissão, que foi aceite pela assembleia geral.

O agora presidente demissionário, Hélder Fernandes, que estava à frente da associação desde 2009, refere que a se efetivarem estas alterações à adenda do contrato de concessão em vigor, será preciso o tripo do orçamento atual da associação, que ronda os 110 mil euros, dinheiro que vai sair do bolso dos mais de 1000 regantes. “Tivemos uma reunião em Lisboa e a DGADR comunicou-nos que, enquanto direção, teríamos de submeter, em assembleia geral, umas alterações que, no nosso entender são muito gravosas para a associação e para os regantes. Não consideramos que tenhamos condições para assumir esses encargos pois não queremos, de todo, assumir as responsabilidades que daí advêm, que são, sobretudo, encargos com a estação elevatória, que atualmente ainda eram suportados pela DGADR mas que, neste momento, querem que passem a ser suportados, na íntegra, pela associação. Isso seria muito penoso para o orçamento da associação e teria custos extraordinariamente elevados para os regantes. Talvez fosse necessário um orçamento a rondar quase o tripo do valor atual”.

Entre os novos encargos estão o pagamento, na totalidade, da energia, reparações e manutenção da estação elevatória, num valor estimado de 130 mil euros por ano. Além disso, a alteração à adenta do contrato implicaria também o pagamento de mais encargos com as viaturas da associação, que representaria mais 20 mil euros.

Assim sendo, a rega anual de um quintal, que hoje custe, por ano, 40€, pode passar para 120€. “Muitas vezes trata-se de pequena agricultura e quintais, e embora o regadio uma taxa cada vez maior, temos aqui um problema grave que tem a ver com problemas de tesouraria e outras responsabilidades. Do lado da receita não há garantia de que, mesmo que haja este incremento, se venha a efetivar, mas temos a certeza de que as despesas não vão descer e isso criaria problemas de tesouraria à associação e a quem estiver”.

Os regantes já foram informados desta crise que a Associação de Beneficiários de Macedo vive atualmente, através de uma assembleia geral extraordinária, estes que, por unanimidade, rejeitaram a proposta de alteração à adenda do contrato, que implicaria todos os novos encargos. A posição vai ser comunicada à DGADR.

A autarquia de Macedo de Cavaleiros também já interveio, solicitando uma reunião com a DGADR para tentar encontrar uma solução para esta questão.

O presidente do município de Macedo, Benjamim Rodrigues, acredita que com este aumento do preço da água do regadio, alguns agricultores possam abandonar a atividade. “Se neste momento isso já acontece, mesmo sem esses custos acrescidos, com eles ficará muito pior.

O nosso papel aqui é de mediadores, promovendo o diálogo e soluções, para conseguir que haja concertação, com esta ou com uma nova direção, defendendo todo o dossier que está em cima da mesa, para que possamos continuar com a associação equilibrada e sustentável”.

A reunião está marcada para 17 de novembro e vai contar com o Diretor Geral da Direção-Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural, Rogério Ferreira, com a autarquia macedense e com a Associação de Beneficiários de Macedo de Cavaleiros.

As eleições para a nova direção da Associação de Beneficiários ficaram marcadas para dia 26 de novembro.

Escrito por Onda Livre (CIR)

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