Produtores obrigados a abater no matadouro de Vinhais porque o de Bragança tem falta de trabalhadores
Alguns funcionários estão de baixa e outros deixaram o posto de trabalho, o que tem provocado limitações no abate dos animais e não só no matadouro de Bragança. Amadeu Caetano é funcionário da Cooperativa Agro-Pecuária Mirandesa e é ele que recolhe e leva os animais para abate. Agora é obrigado a levar o gado para Vinhais porque em Bragança não conseguem abatê-lo.
“Por exemplo às vezes vou à zona da Lombada, Babe, Deilão, Vila Meã, e vir até Bragança era pertinho, mas tenho que ir a Vinhais. É chato, é muito chato. Para aí há 10 semanas ou mais que o engenheiro me disse dois funcionários estavam de baixa e dois foram-se embora e não arranjavam ninguém, por isso não conseguiam abater à terça-feira”, contou.
Os matadouros de Vinhais e Cachão têm sido a alternativa para os agricultores. Licínio Rodrigues é um dos produtores do concelho de Bragança que tem gado mirandês. Há cerca de um mês foi confrontado com a necessidade de ter que tirar a “guia” para Vinhais.
“Fui surpreendido quando me vinham buscar vitelos e me disseram que tinham que tirar a guia para Vinhais e eu perguntei porque não para Bragança e disseram-se que Bragança tem falta de pessoal. Tanta pressão foi feita dos agricultores para que se fizesse cá o matadouro e agora não abater, é um bocado estranho”, referiu,
Já Luísa Correia conseguiu que os animais fossem abatidos, apesar de ter esperado algumas semanas. No entanto, queixa-se de não o terem fatiado, como o faziam anteriormente. Um serviço que vai ter que contratar a outra pessoa.
“Estava à espera há algumas semanas para abate, eles abateram, entregaram, mas não fatiaram. Eu vou ter que solicitar serviços a outra pessoa para me terminar o trabalho”, disse.
O Jornal Nordeste apurou, junto das instalações, na semana passada, que o abate de animais só está a ser feito à segunda e quarta-feira e que há um défice de cinco funcionários. Contactado o presidente da câmara, Hernâni Dias reconheceu que houve problemas, mas que já estão a tentar solucioná-los. Um dos funcionários que estava de baixa já regressou e já foram afectados mais dois trabalhadores.
“Tivemos cinco trabalhadores a menos, três estavam de baixa médica, sendo que um deles já regressou, e dois trabalhadores fizeram concursos para outras entidades e acabaram por sair. Assim o município para tentar resolver esses problemas afectou mais dois trabalhadores de outros serviços. Das 11 pessoas que trabalham na linha de abate, temos nove, portanto estamos com dois em falta”, esclareceu.
O município disse estar a tentar para que tudo corra dentro da normalidade “possível” e vai abrir um procedimento concursal para contratar mais trabalhadores.
Para que seja aberto um procedimento concursal, é preciso aprovação na Câmara Municipal e também na Assembleia Municipal, uma vez que obriga à alteração do mapa do pessoal do município.
O matadouro de Bragança com problemas no abate de animais, devido à falta de trabalhadores. Os matadouros de Vinhais e Cachão são a alternativa para os produtores, que se queixam dos constrangimentos, nomeadamente os gastos.
Escrito por Brigantia