Futebol. Estudantes Africanos cada vez mais integradores e inclusivos
A equipa de futebol surgiu em 2012, um projecto único no país, tendo como pilar Óscar Monteiro, que morreu este ano, em Maio. O desaparecimento precoce de um dos seus fundadores deixou a equipa um pouco à deriva, mas Iven Lima, juntamente com outros elementos, não deixou cair o projecto, apesar de ter pensado em desistir. “Nos últimos três anos fui director desportivo e adjunto com o Óscar. Estávamos a desenvolver um projecto. Eu tinha terminado a licenciatura, ia fazer o curso de treinador e assumir a equipa com o apoio dele e do IPB. Depois veio a triste notícia do desaparecimento do Óscar. Confesso que me fui abaixo e deu-me vontade de desistir”, confessou.
Iven Lima é o actual director desportivo dos Estudantes Africanos e quer manter a essência da equipa, ADN africano misturado com outras nacionalidades. “No início da época quando reunimos com o presidente do IPB foi uma das coisas que nos pediu, uma equipa da comunidade estudantil com estudantes/jogadores das várias nacionalidades”.
A promoção da equipa é fundamental e já estão estabelecidas parcerias com o IPB, através de alunos estagiários que colaboram em diferentes áreas, como comunicação e preparação física. “Desde que cheguei a Bragança e que entrei no clube senti a necessidade de colocar em prática aquilo que aprendemos na licenciatura. Quando assumi o cargo a primeira coisa que fiz foi ‘recrutar’ no IPB estagiários para ajudar em vários sectores do clube”.
Em termos desportivos, os Estudantes ocupam o oitavo lugar na Divisão de Honra Pavimir. Depois de um início de época menos positivo, Iven Lima acredita numa segunda volta tranquila pois o plantel vai contar com reforços. “Os jogadores já estão identificados e a treinar desde o início da época. Ainda não foram inscritos por questões burocráticas que estão a ser resolvidas. Os jogadores vão estar disponíveis em Janeiro e acredito que vamos dar uma boa resposta na segunda volta”.
O crescimento da equipa deve-se ao técnico, José Alves, que para Iven Lima é uma aposta ganha. “Tive a sorte de encontrar um grande treinador. Ele tinha outras propostas mas aceitou o nosso desafio para ajudar a potenciar os jogadores. Ver a equipa a jogar como ele quer, nesta fase, com apenas três meses de trabalho deixa-me muito satisfeito”.
Os Estudantes Africanos têm sido uma montra para vários jogadores, é o caso do central Yuran. O jogador cabo-verdiano chegou à formação Africana na época 2013/2014, deu o salto para o Campeonato de Portugal, onde representou o Estrela da Amadora, e jogou na Liga 3 com a camisola do Torrense. Actualmente representa PSM Makassar da Indonésia. Outro bom exemplo é do avançado Helton do Grupo Desportivo de Bragança.