Exportações agrícolas no distrito quase triplicaram na última década
José Luís Castro tem 420 hectares de olival em oito aldeias dos concelhos de Macedo de Cavaleiros e Mirandela. Com o objectivo de produzir “mais e melhor”, está a investir em regadio, para que em seis anos esteja a produzir dois milhões de quilos azeitona. Tem ainda optado pela modernização de técnicas de poda e até de adubação. O empresário considera que os agricultores da região têm que mudar mentalidades e não se podem basear nos subsídios.
“Os subsídios se foram vistos como um fim deturpam completamente as decisões que os agricultores tomam e acabam por continuar numa lógica de agricultura de subsistência e é o que existe em Trás-os-Montes e acho que tem que mudar radicalmente. Acho que falta empresários, falta dimensão, falta vontade de fazer coisas de forma diferente, pondo os subsídios numa lógica de complemento e nada mais que isso”, frisou.
Já Nuno Martins deixou a vida que tinha no Porto e veio morar para Mogadouro, de onde é natural. Não queria deixar morrer as explorações de olival e vinha do pai. Mas além dessas culturas, decidiu que estava na altura de apostar numa muito mais rentável: a do mirtilo. Tem seis mil plantas e no seu melhor ano produziu seis toneladas. 60% vai para o estrangeiro.
“É uma cultura muito mais rentável do que a vinha e o olival na nossa região. Não pertencemos à região demarcada e temos um preço do quilo de uvas de cerca de 40 cêntimos, quando não é menos, o mirtilo tem um preço do quilo ao produtor, para exportação de cerca de 4,5 euros. Podemos dizer que o mirtilo é 10 vezes mais rentável que a vinha na nossa zona. Estou trabalhar em duas frentes, uma venda a nível do distrito de Bragança, outra parte da produção segue para o estrangeiro”, explicou.
Já Luís Filipe Carcau é um jovem agricultor de Mirandela. Não se quis deixar levar pela tendência da região de produzir azeite e vinho e quis apostar no figo. Começou por figueiras que tinha e foi “expandido” os pomares, chegando aos 30 hectares que tem hoje. E não quer ficar por aqui. Quer aumentar a produção e vender o fruto ao mercado internacional.
“O objectivo principal é aumentar a produção, aumentar ao máximo as tecnologias nos pomares, quer na colheita, no regadio, também na cobertura dos pomares e modernizar toda a parte de embalamento e logística. Existem alguns contactos, o objectivo seria iniciar a exportação no ano passado, mas como foi um ano fraco em termos de produção, decidimos adiar para este ano”, referiu.
Cristiano Freixo, de Santa Comba da Vilariça, é também um jovem produtor mas de laranjas, sendo que tem quase 8 hectares de citrinos. Também tem amendoeiras e oliveiras, mas o foco são mesmo as laranjas. Com 29 anos, diz estar a começar a carreira no mundo da agricultura e já exporta algum fruto. Apesar de ainda não ter grande rendimento com esta cultura, porque as árvores ainda não estão a produzir na totalidade, garante que ainda o vai ter porque a aposta não vai parar tão cedo.
“A maior parte vendo em Bragança, o resto tenho duas ou três pessoas que levam para a França, se calhar falamos em 1500 quilos por semana. A minha ideia é continuar a plantar. No espaço de 10 anos, o objectivo era ter à volta de 20 hectares de laranja. Se não houvesse subsídios, a agricultura não tinha viabilidade nenhuma, os adubos estão caros, os tratamentos estão caros”, disse.
Entre 2012 e 2022 os agricultores abriram-se ao mundo. Só no que toca à exportação de fruta há um aumento de 42%, a maior parte para França, Espanha e Itália.
Escrito por Brigantia