Produtores de amêndoa biológica da região com dificuldades em conseguir vender o fruto a um preço justo
Os agricultores dizem estar a seguir todas as regras e a ter todos os cuidados de certificação, mas depois acabam por não conseguir vender a amêndoa ao preço da biológica, porque o ácido é detectado e o fruto é desvalorizado. Margarida Junqueiro é uma das agricultoras que está a passar por esta situação. “A conclusão é que continuamos com o mesmo problema. Ou seja, o Ácido Fosfónico é de 0,034. Não sei o que é que isto poderá interferência na venda destes produtos. Até agora não havia problema nenhum. Não sei porque é que a União Europeia decidiu alterar estes dados”.
Se as amêndoas ultrapassam o limite dos 0,001 de Ácido Fosfónico, o fruto deixa de ser considerado biológico. Assim, deixam de vender a amêndoa a 5 euros, o quilo, e passam a vendê-la a três euros. A agricultora, com pomares em Torre de Moncorvo e Freixo de Espada à Cinta, está indignada e quer que o Ministério da Agricultura faça alguma coisa. “A nossa agricultura é destruída, os agricultores estão a ser destruídos e o nosso Governo e Ministério da Agricultura não fazem nada, porque ainda não lhes causou problema nenhum, no salário deles. Agora se nós formos para lá e despejarmos a amêndoa todo naqueles escritórios, para eles a venderem e saberem o que é duro”.
A campanha da amêndoa começou há poucas semanas e embora as análises feitas ainda sejam poucas, o presidente da Cooperativa de Amêndoa de Torre de Moncorvo, Bruno Cordeiro, prevê que, mais uma vez, os agricultores sejam prejudicados, mesmo cumprindo todas as exigências. “Na minha opinião, 50 a 60% da amêndoa biológica anda nesta situação, se não mais, arrisco a dizer que 70% que anda com este problema.
Para já ainda não foi identificada a razão que leve a amendoeira a produzir Ácido Fosfónico. Para o presidente da Cooperativa Soutos Os Cavaleiros, André Vaz, deve-se à produção em sequeiro. “Estes valores não estão necessariamente relacionados com a aplicação de produtos por parte dos agricultores. Já há estudos e a fileira está a trabalhar neste sentido, de que a própria árvore em certas condições de stress, tanto hídrico como nutricional, pode sintetizar Ácido Fosfónico”.
O presidente do Centro Nacional de Competências dos Frutos Secos, Albino Bento, explicou que o Ácido Fosfónico não tem qualquer impacto na saúde. “De acordo com a Autoridade Europeia de Segurança Alimentar é um elemento que não tem importância nenhuma em termos de saúde. Tanto é assim que em agricultura convencional estavam previstas 500 miligramas por quilo e passou para 1500, ou seja três vezes mais, porque esse produto não tem impacto nenhum na saúde”.
Este é um problema que se vem arrastar desde 2019, quando a União Europeia implementou esta norma. O Centro Nacional de Competências dos Frutos Secos tem estado em conversações com o Ministério da Agricultura para que se tente alterar a regra. No entanto a resposta que obtiveram é que “o Ministério cumpre a legislação comunitária”.
Contactámos o Ministério da Agricultura para perceber se vai ser tido em conta este problema que está afectar os produtores da região. No entanto, não foi possível obter qualquer resposta.
Escrito por Brigantia