Associação da Língua Mirandesa preocupada com o atraso na criação do instituto para preservar o mirandês
O ano passado foi aprovada uma proposta de alteração do Orçamento de Estado de 2023 para a criação de um organismo que preservasse e promovesse o mirandês. O presidente da Associação da Língua e Cultura Mirandesa, Alfredo Cameirão, diz ainda não ter sido contactado pelo Governo e mostra-se preocupado com a situação.
“Estamos preocupados, estamos em meados de Outubro e o Orçamento de Estado de 2023 a não ser executado se perderá. Estamos apreensivos, porque entendemos que é um assunto absolutamente determinante para a Língua Mirandesa e temos algum receio que não tenha sido tomado o melhor caminho”, realçou.
Em causa estão cerca de 100 mil euros do Orçamento de Estado deste ano para a criação do instituto. Uma quantia significativa, realça Alfredo Cameirão.
“No Orçamento de Estado para 2023 diz que seriam gastos até 100 mil euros na criação dessa unidade orgânica. Nós não nadamos em recursos, para nós 100 mil euros é uma quantia significativa, nomeadamente para o arranque era fundamental que pudesse haver alguma boa vontade de Lisboa e de quem tem os recursos”, vincou.
A língua mirandesa está em risco de desaparecer nos próximos anos, segundo um estudo da Universidade de Vigo. A criação do Instituto da Língua Mirandesa é uma forma de a preservar.
“Pode fazer a diferença, evidentemente. O que se pretende é um instituto que possa congregar as vontades de todos os mirandeses, o saber e as opiniões, e depois encontrar um caminho que possa levar à salvaguarda e preservação da língua mirandesa”, explicou.
Contactámos o Ministério da Cultura para perceber se já foi dado algum passo no sentido de criar o Instituto da Língua Mirandesa, mas até ao momento não obtivemos qualquer esclarecimento.
Escrito por Brigantia