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Município de Mirandela garante que água da torneira tem qualidade mas presidentes de junta têm dúvidas

Município de Mirandela garante que água da torneira tem qualidade mas presidentes de junta têm dúvidas
  • 9 de Janeiro de 2024, 16:03

O referido laboratório, sediado no Cachão, era o responsável pela realização das análises no concelho mirandelense.

Júlia Rodrigues adiantou que após a tomada de conhecimento do caso “Gota D’Água”, a autarquia “contratualizou um novo laboratório certificado, para garantir a continuidade da execução do programa de controlo da qualidade da água definido pela Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos”.

Para além disso, a autarca adiantou que, como medida de reforço do apuramento real de resultados, além das ações de controlo de rotina, a Câmara de Mirandela “já solicitou a realização de um controlo de inspeção, que consiste na avaliação de um largo espectro de parâmetros bioquímicos, um procedimento de colheita e análise que será efetuado em simultâneo com a delegação local de saúde.

Depois da reunião com os presidentes de junta, e das informações que diz terem sido prestadas pelo delegado de saúde, Júlia Rodrigues deu a garantia de ser seguro beber água. “Uma vez que sempre que existe uma não conformidade relativamente a alguma análise da água, elas serão analisadas pela saúde pública e vindo a existir essa situação, obviamente, que cessa o abastecimento por captação própria e é feito o abastecimento por camião cisterna, tal como de resto já acontece nos meses de Verão em períodos de seca extrema. E até agora não temos nenhuma situação dessa reportada, pelo que a água está em condições de abastecimento”, sustentou a edil.

E essa garantia, disse a autarca, também é válida para a freguesia de Abreiro, cuja população denunciou recentemente muitas dúvidas sobre a qualidade da água. “O delegado de saúde explicou que a água pode ter os teores em ferro superiores aos ditos normais e ser uma água com uma cor diferente da que estamos habituados, mas a divisão de ambiente tem feito um trabalho de diagnóstico, tem feito a limpeza de reservatório e de condutas para saber onde está o problema e identificaram que são nas casas de fim de linha onde há os maiores problemas da turvação da água, até porque a pressão da água pode condicionar já que temos redes muito antigas”, referiu.

Ainda assim, Júlia Rodrigues ressalva que há quatro aldeias em que o Município “não é a entidade gestora pelo sistema de abastecimento de água”.

Uma dessas Uniões de Freguesia é a de Avantos e Romeu, mas o presidente assegura que a água é de qualidade. “Tínhamos uma engenheira que nos tratava da água, colocamos o cloro como nos mandam e penso que a água tem qualidade, porque fazemos o tratamento nunca houve problemas nenhuns, mas não temos culpa nenhuma se andávamos a ser enganados pelo laboratório”, afirmou Bernardino Pereira.

Os outros três sistemas em que a gestão não é do Município são a União de Freguesias de Avidagos, Navalho e Pereira (sistema do Navalho), União de Freguesias de Barcel, Marmelos e Valverde da Gestosa (sistema de Barcel e Longra), e a União de Freguesias de Franco e Vila Boa (sistema do Franco).

MUNICÍPIO E SAÚDE PÚBLICA PROMOVEM FORMAÇÃO PARA AUTARCAS SABEREM INTERPRETAR BOLETINS

Esta reunião, também serviu para o Município, em colaboração com a Delegação Local de Saúde, dar a conhecer a sua intenção de começar “um projeto piloto” que inclui sessões de formação com as Juntas e Uniões de Freguesias do concelho “para a capacitação de interpretação dos resultados exibidos nos boletins de análise”.

No entanto, alguns presidentes de junta colocam muitas reservas de que este procedimento possa dar maior segurança e tranquilidade às populações que servem.

É o caso da presidente da junta de Suçães. “Queixo-me da falta de comunicação, porque não sou licenciada em microbiologia nem sou química, e quando me enviaram os editais, no Natal, com dados técnicos, não sabia o que havia de fazer ou dizer às pessoas”, contou Luísa Deimãos que não se sente segura. “É verdade que as análises não estão bem, e agora estão a fazer uma contra análise, diz que não há risco para a saúde pública, mas se as pessoas sentirem maior confiança, disse o delegado de saúde que fervam a água ou que bebam água do garrafão, mas isso diz-me muito pouco e enquanto presidente de junta não me sinto segura nem consigo defender as populações que represento porque não tenho conhecimentos técnicos.

O autarca de Frechas também confessou estar preocupado. “Entrei confuso e sai baralhado e mais preocupado porque eles não tinham qualquer tipo de informação para nos esclarecer e quando o delegado de saúde afirma que não está em condições de assegurar que a água está própria para consumo, tudo me garante que a água não esteja em condições”, afirmou José Carlos Teixeira que já sabe o que vai recomendar aos seus fregueses: “é para não consumir a água”, disse.

Ainda não há data agendada para a realização desta ação de formação com os 30 presidentes das juntas de freguesia do concelho de Mirandela.

Escrito por Terra Quente (CIR)

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