Administração da ULS do Nordeste não tem data para reabrir a urgência de cirurgia do hospital de Mirandela
A administração da Unidade Local de Saúde do Nordeste (ULSNE) não deu qualquer garantia aos sete presidentes dos Municípios do sul do distrito de Bragança de que esteja para breve a reabertura da urgência de cirurgia geral do hospital de Mirandela, que está encerrada há três meses, depois de a administração ter decidido alocar os três cirurgiões que sempre estiveram afetos àquela especialidade, à urgência do hospital de Bragança.
Na altura, a medida, supostamente, provisória, tinha a ver com os constrangimentos na elaboração das escalas, como consequência da recusa da maioria dos médicos em realizar horas extra para lá das 150 horas que estão estipuladas na Lei.
Ontem, os autarcas de Mirandela, Macedo de Cavaleiros, Vila Flor, Carrazeda de Ansiães, Alfândega da Fé, Torre de Moncorvo e Freixo de Espada à Cinta reuniram, na câmara de Mirandela com a administração da ULS Nordeste para tentar obter respostas e reivindicar a reabertura daquela valência, mas não escondem a preocupação por não ter sido adiantada qualquer data para a possível reabertura. “Não tivemos garantias reais, tivemos compromisso de que logo que seja desbloqueada esta questão da classe médica se possa reabrir a urgência de cirurgia geral”, adianta a autarca de Mirandela, que confessa ter ficado “muito preocupada” com as respostas que obteve da administração da ULSNE. “Não sabemos quando vai reabrir a urgência”, admite Júlia Rodrigues.
Já o presidente do Município de Freixo de Espada à Cinta, aquele que está mais longe de todos os hospitais, sublinha “a importância da centralidade do hospital de Mirandela” para os habitantes do seu concelho. “Este hospital é o que está mais próximo, está a uma hora e dez, enquanto os de Bragança e o de Vila Real ficam a uma hora e 45 minutos e duas horas”, pelo que Nuno Ferreira não aceita que este serviço venha a encerrar definitivamente. “Aquilo em que acreditamos é que a palavra dada seja palavra honrada e este é o tempo de defender a região e não o tempo de cada um olhar para o seu Município e todos estamos do mesmo lado para evitar este encerramento”, diz
O presidente da câmara de Torre de Moncorvo confessa que não sentiu da parte da administração da ULSNE “que a reabertura esteja para breve”, reiterando que os autarcas do sul do distrito não se revêm nesta política do SNS. “É melhor termos uma solução preparada para defender os utentes do que ter uma solução que engana os utentes, porque ter um médico em Mirandela e outro em Bragança é o mesmo que nada. É um logro”, afirma Nuno Gonçalves que coloca muitas reservas na postura da administração da ULSNE neste processo. “O que deixa de ser razoável, é não haver ainda uma proposta de como vamos obviar esse problema e aí a administração tem de ter a capacidade de recorrer, se for necessário, à contratação”, acrescenta o autarca social-democrata.
No final da reunião, o presidente da administração da ULS Nordeste, Carlos Vaz, não se mostrou disponível para prestar declarações à comunicação social.
Aquela especialidade fechou portas, há três meses, alegando a Administração da Unidade Local de Saúde do Nordeste que se tratava de uma medida provisória, mas os autarcas desconfiam que possa tornar-se definitiva.
Vão aguardar algum tempo e se não for reaberta a urgência de cirurgia geral pretendem agendar uma reunião com a direção executiva do SNS e com o Ministro da Saúde.
Escrito por Terra Quente (CIR)